Resumo:
A Retocolite Ulcerativa é uma doença inflamatória crônica e auto imune que acomete a mucosa
superficial do intestino grosso e se alterna em períodos sintomáticos e de remissão. Evidências
apontam para uma possível interação da dieta, principalmente de padrão ocidental associada à
imunidade do indivíduo e à composição da microbiota intestinal ao surgimento da doença. Esta
revisão se propôs a identificar interações dos alimentos no curso da doença pela perspectiva
dos pacientes de RCU, que responderam sobre seus comportamentos e crenças alimentares.
Utilizou-se as bases de dados Pubmed e BVS. A crença da influência da dieta não foi consensual
embora muitos estudos apontem para esta idéia, ainda que acreditem na importância da dieta
no curso da doença principalmente associada às recidivas e exacerbação de sintomas. A redução
do apetite foi bastante relatada principalmente nas crises. O comportamento alimentar mais
comum após o diagnóstico foi a restrição alimentar no intuito de evitar recidivas e exacerbação
de sintomas embora também observa-se a inclusão de alimentos e suplementos pela crença de
seus efeitos benéficos. Na categorização dos alimentos excluídos observou-se consonância,
diferente dos alimentos incluídos. Alimentos citados como maléficos são às vezes citados como
benéficos o que leva à conclusão de que a condução das alterações alimentares na RCU devem
ser tratadas de forma individualizada. As citações das fontes de informações sobre a
alimentação no curso da doença são díspares. É preciso aprofundar as investigações da
interação dos alimentos com a doença para que os nutricionistas consigam maior assertividade
no atendimento aos pacientes.
Descrição:
A Retocolite Ulcerativa (RCU) é uma desordem inflamatória crônica e autoimune, que
acomete a mucosa superficial desde o reto ao cólon proximal, em extensões variáveis e se
alterna entre recaídas e remissões (fase ativa e assintomática respectivamente). A RCU integra
o grupo das Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) (BRASIL, 2020; GAJENDRAN et al.,
2019; GU; FEAGINS, 2020; SHAFIEE et al., 2020; VRDOLJAK et al., 2020).